Texto em destaque

INVASOR NO CASARÃO (primeiro conto do blog)

Eu estava lá. A manhã era fria e nebulosa, não havia ninguém naquela praça além de mim e alguns trabalhadores de uma construção próxima. ...

sábado, 24 de dezembro de 2016

Sr. Hugo - Capítulo I - O Homem Perfeitamente Normal e Seu Encontro Inesperado

          Sr. Hugo era um homem perfeitamente normal que vivia sua vida perfeitamente normal, morava em uma casa perfeitamente normal e lia livros perfeitamente normais, mas havia um pequeno detalhe que deixava sua vida perfeitamente normal não tão perfeitamente normal assim, digamos que Hugo Xavier de Oliveira Santos estava morto. Mas eu disse que a vida dele era normal, então você já pôde supor que se tratava de um fantasma perfeitamente normal, isso se você levar em conta que ser um fantasma é perfeitamente normal, digamos que ele tem uma vida 90% normal, ou melhor uma morte 90% normal, pensando bem, hmm... 80, 70, 65, 50, 45... acho que tua mente será melhor para definir o nível de normalidade dessa morte, pois não tenho muito para falar sobre a apresentação desse sujeito afinal sua história é de certo grande e também está em meus planos contar para vocês sobre a história póstuma de tal nobre homem.
            Tudo começa em um dia quente não temos registros exatos da data específica, mas foi algo entre 12 de dezembro e 26 de Março entre os anos de 1892 e 1929, numa fazenda que ficaria mais ou menos no centro-sul de Minas Gerais nascia um bebê feio, estrondosamente feio como todos os bebês que nascem, mas assim como todos os bebês que crescem ele passou a ter a aparência de um bebê perfeitamente normal, também tinha o psicológico de um bebê perfeitamente normal sendo burro e curioso com tudo, desde facas afiadas até bonecos de porcelana muito antigos.
            Como um bebê perfeitamente normal o garoto Hugo cresceu e aprendeu a engatinhar, depois a andar e a correr, depois a falar, depois a fazer cálculos, a ler, a escrever, a estudar eram tantas coisas que as pessoas perfeitamente normais apreendem quando crianças perfeitamente normais. Foi que com o crescimento perfeitamente normal vieram as responsabilidades perfeitamente normais, responsabilidades essas que consistiam em estudar para as provas, ir bem nos testes, conhecer pessoas e etc. Como você já pode pensar eram responsabilidades completamente e perfeitamente normais. Mas com as responsabilidades também vem a preocupação que com os anos se torna estrese, que com o tempo passando vira cansaço e o cansaço de uma mente culmina na morte. Essa foi, de maneira extremamente resumida a vida de Sr. Hugo.
            Um detalhe que será importante para o decorrer da história e que preciso apresenta-las é sua mente louca que começou quando ele tinha 4 anos e voltou à tona aos seus 61 anos, cinco meses e doze dias em um ano não precisamente relatado, mesmo assim ela as vezes some e dá lugar ao bom senso, em fim, vocês verão a confusão que é o psicológico dele na história.

            Mas agora vamos começar a nossa história. Era um dia quente e Sr. Hugo estava assentado em um banco alto, via seus parentes chorarem aos montes, todos de preto em volta de uma mesa com um grande recipiente de madeira. Não era notado por ninguém que pareciam, em sua mente, estarem criando um novo dilúvio com tantas lágrimas, afinal ele nunca sonharia que tantas pessoas que só viram ele uma vez em vida, chorassem em seu velório. Sempre se sentira sozinho tendo raramente a companhia dos filhos desde que sua mulher morreu. Decidiu então experimentar o mundo como um fantasma de histórias e levantou-se do banco, ainda não sendo percebido por ninguém, foi andando por entre a multidão tentando tocar nas pessoas em vão, percebendo que estava intangível para os outros.
            Mesmo assim continuou seu caminho e chegou perto do caixão, observou seu corpo morto com uma gravata borboleta xadrez e um terno cinza. Continuou olhando para si mesmo quando desequilibrou e esbarrou no caixão fazendo ele quase cair, todos correram para tentar recoloca-lo no lugar, mas o morto saiu pela porta para ver o mundo.

            Viu à sua frente apenas um borrão de inicio, mas com seus olhos se acostumando à claridade do sol pode ver uma rua movimentada, o comércio estava cheio e a calçada era tomada por pessoas perfeitamente normais levando suas vidas como bem entendiam de maneiras perfeitamente normais para os parâmetros dessa história pelo menos. A medida que ia andando se esquecia de ser um fantasma, levantava o chapéu e estendia a mão para cumprimentar ex-vizinhos e ao mesmo tempo reclamava quando eles o “ignoravam”. Foi quando subitamente uma mão tocou seu ombro e ele retomou a consciência de que estava morto, virou a cabeça e caiu de susto no chão, uma criatura preta portada de um capuz cinzento e um cinto cheio de ferramentas portava uma foice e um martelo em cada mão.
– Socorro um guerrilheiro comunista morto veio se vingar de todos os ricos que não foram a favor deles! Eu não quero morrer, eu já morri. – gritou Hugo tonto
– Não, não! – falou a criatura – Sou um ceifador, vim aqui levar você para o vazio, onde os mortos habitam.
– Não.
– Você não tem escolha velho, venha!
– Apenas se você me responder 3 perguntas.
– Quais são elas? – disse o ceifador impaciente
– Primeira, por que não posso tocar os outros ou eles me verem?
– Você pertence à morte e tudo que a morte tocou não interage com o que a vida tocou, mas os pertences dos dois podem tocar o que nenhum deles tocou.
– Onde está minha mulher?
– Quem é sua mulher?
– Como você não sabe, ela é a mulher mais bonita da minha vida e morte, tem os cabelos loiros, pele macia, é bela como só uma mente inteligente e sensata como a minha poderia perceber sua beleza. O nome dela é Vitória.
– Ela? Bem, lembro-me que fui eu quem vim coletá-la. Também se recusou a vir e conseguiu me persuadir, fechamos um trato que ela esperaria você, mas não achei ela enquanto vagava por aí então acredito que ela tenha desistido de esperar e tenha ido embora por si só.
– Não acredito em você. Vamos fechar um acordo que eu vou atrás dela e caso não a ache, você pode me levar sozinho, caso ache-a você nos leva juntos.

– Façamos do jeito que queres, não tenho mais tempo e sei que sua mente se esvairá em direção ao vazio antes de encontra-la isso se ela já não foi. Podes fazer tua loucura vasculhei tua mente e a maioria das ideias são piores então. Poderá ir. – dizendo isso o ceifador sumiu em uma fumaça negra e Hugo continuou o caminho para sua casa pensando em como encontrar sua mulher.

Um comentário:

  1. Oi!!! Aqui é a Camila. Você escreve muito bem, já pensou em criar uma conta no Wattpad?
    Se criar, não se esqueça de me seguir: MVCamilaFontes06
    Sucesso!

    ResponderExcluir