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INVASOR NO CASARÃO (primeiro conto do blog)

Eu estava lá. A manhã era fria e nebulosa, não havia ninguém naquela praça além de mim e alguns trabalhadores de uma construção próxima. ...

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Sr. Hugo - Capítulo II - O Asilo Para Mortos Tristes e Bêbados.

            Sr. Hugo continuou pela rua até atingir sua casa velha e empoeirada. Mal chegou perto da porta e um choro alto começou a ser emitido. Sr. Hugo olhou para cima e observou atentamente as janelas quadradas, elas estavam molhadas. Olhando mais atentamente por dentro via-se uma névoa cinza e densa. Ele ficou parado por algum tempo, pensava sobre o que teriam feito em sua casa enquanto estava morrendo.
           Agarrou a maçaneta, furioso, e a girou, a porta abriu para dentro e Sr. Hugo entrou. O primeiro-andar estava normal, as paredes eram rosa-salmão, vários móveis tombados ou caindo aos pedaços estavam dispostos em volta de um tapete vermelho e dourado, mas fora isso nada estava estranho nesse andar, ergueu a cabeça e vasculhou com olhos a sala, descendo a escada era perceptível uma névoa não tão grossa que sumia repentinamente. Ao tocar o quarto degrau.
Sr. Hugo se dirigiu aos aposentos superiores. Inicialmente não conseguia ver direito, mas depois seus olhos se acostumaram. Com a medida que se aproximava o choro aumentava. Finalmente chegou ao topo da alta escada e lá viu três ceifadores flutuando no ar. Estavam com o capuz cobrindo o rosto completamente e carregavam canecas de cerveja, além de estarem sem armas e emitirem sons parecidos com choros.
De repente um sino tocou, Hugo tentou se esconder, mas não contava que o dono do sino vinha de trás dele.
– Ora, ora. Hugo Dono da Casa Morto Agora Finalmente Esse Chato Se Para Sempre Só Que Não Foi Xavier de Oliveira Santos.
– Não me lembrava do meu nome ser tão longo – falou Sr. Hugo tentando recordar de seu nome.
– Ora, você continua o mesmo idiota de sempre – Falou o homem... Morto.
– Perdão, mas nos conhecemos?
– Eu te conheço, mas você era humano, agora é um morto, e aparentemente não muito inteligente também. Mas por aqui, seu quarto já está pronto segundo meu secretário.
– Quarto?
Entraram em um cômodo cheio de fumaça muito densa e viram vários mortos. Estavam se embebedando e fumando charutos, cigarros e cachimbos, aqueles mortos velhos provavelmente tinham morrido de tanto tabaco e álcool, pois nunca na história da humanidade tantas... Pessoas? Acho que posso chama-los assim agora, fumaram tanto e beberam quanto na história daquele asilo, mesmo assim ninguém parecia feliz e todos berravam e choravam, seja de dor ou por que suas canecas estavam vazias.
Mas você se pergunta, por que um asilo para fantasmas na casa, convenientemente, do nosso protagonista? Eu te respondo: Por que não? Era um lugar quase completamente abandonado, com muito espaço e um belo mofo se acumulava no sótão, óbvio que fantasmas dariam um jeito de ficar naquele lugar.

Ao chegar em seu quarto Sr. Hugo notou que estava no quarto no qual dormira por mais de 47 anos e 3 meses, aquilo o fez refletir que não sabia decorar um cômodo. Passou o resto do dia bebendo e chorando com seus colegas, não sabia muito bem por que chorava, assim como seus colegas, mas ninguém questionava-se sobre isso.

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